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Projeto Leva ao Teatro proporciona atividades culturais para o público LGBTI em situação de vulnerabilidade

Atividade promovida pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos apresenta espetáculos teatrais aos atendidos pelos centros de cidadania

De Secretaria Especial de Comunicação

A Coordenação de Políticas para o público LGBTI, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), promoveu nos dois últimos sábados (04 e 11) o projeto “Leva ao Teatro”. A ação proporciona às pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social, beneficiárias de programas e serviços dos Centros de Cidadania LGBTI a oportunidade de vivenciar a magia do teatro.

“O preconceito sofrido por pessoas LGBT, que para muitas já começa dentro da própria casa ou da escola, acaba por impedir ou limitar o acesso ao teatro ou outros eventos culturais” conta Xênia Star, assessora da Coordenação de Políticas para LGBTI. “Proporcionar esta oportunidade é também uma forma de resgatar a cidadania e abrir caminhos para novas experiências e maneiras de ocupar os espaços públicos”, afirma.

A atividade contou com a participação de 115 pessoas atendidas pelos Centros de Cidadania LGBTI Laura Vermont e Luana Barbosa dos Reis, localizados na zona Leste e Norte, respectivamente. Para muitas, foi a primeira vez que tiveram a oportunidade de assistir à uma peça. O espetáculo escolhido nas duas ocasiões foi “As Bunytas do Rádio”, exibida no primeiro sábado (04) no Teatro Alfredo Mesquita e, no segundo (11), no Cacilda Becker.

Descobertas

Agatha Plácido, de 35 anos, mulher transsexual que vive uma fase de descobertas, foi uma das pessoas que participou do evento. Ela conta que sempre gostou de escrever, inclusive peças de teatro e poemas, mas nunca havia ido ao teatro. “Meu sonho era ser atriz, com todas as dificuldades que uma mulher trans enfrenta, e vivi isso na peça. Senti um pouco da minha história, das muitas coisas que enfrentei no enredo acontece em um programa de rádio e o preconceito”, conta. Na peça, um rapaz desiste de um romance com uma mulher transsexual por pressão da sociedade.

Também foi a primeira vez que Agatha saiu como mulher trans, depois que assumiu sua identidade feminina. De família evangélica, perdeu o pai quando tinha nove anos. Saiu de casa aos 17 e, agora, com o incentivo do Transcidadania, programa da SMDHC que incentiva travestis, mulheres transsexuais e homens trans a concluírem os estudos, cursa o último ano do Ensino Médio. “Posso dizer que hoje eu vivo e me sinto realizada”, conclui.

Para a travesti Dávila Ravache, 45 anos, essa foi a segunda experiência no teatro. Também está no programa Transcidadania e vai concluir o Ensino Médio em 2022. Dávila compara a experiência rara de ir a um evento cultural às chances no mercado de trabalho. “É preciso estar preparada e se portar bem. Nem sempre algumas meninas compreendem isso”, afirma. “Em uma sociedade preconceituosa como a nossa, é preciso saber o que vestir e como se portar. E ir ao teatro também requer essa atitude. Temos 14 milhões de desempregados no país disputando vagas e, se você não está preparada, é ainda mais difícil para uma mulher trans ou travesti. Você precisa dar o seu melhor para conseguir uma chance”, afirma.

A iniciativa contou com a parceria da Associação Cantinho da Família, Allibus Transportes Ltda. e ACESD (Associação Cultural, Educacional e Social Dynamite), que garantiram o transporte e alimentação dos participantes.

O projeto “Leva ao Teatro” seguirá oferecendo experiências únicas. Neste sábado (18) será a vez das pessoas atendidas pelo Centro de Cidadania LGBTI Edson Neris, da Zona Sul, entrarem em contato com a magia do palco.

As Bunytas do Rádio

O espetáculo aborda as nuances do amor a partir da temática poética da Era do Ouro do Rádio. Três drag queens – Jhenny (Renato Lima), Mercedez Vulcão (Pedro Machitte) e Thelores (Beto Souza) – constroem histórias românticas por meio das músicas de grandes divas brasileiras como Dolores Duran, Dalva de Oliveira, Irmãs Galvão, Ângela Maria e Inesita Barroso, entre outras.

As cenas são inspiradas na dramaturgia de radionovelas e a peça culmina em um grande programa de auditório ao vivo, com a participação do público.

Programa Transcidadania

O Transcidadania é um programa da Prefeitura de São Paulo, sob a responsabilidade da SMDHC. Oferece uma bolsa mensal para pessoas trans que se comprometem a buscar a progressão escolar nas escolas públicas referenciadas, que oferecem um ambiente mais propício para essa diversidade.

O Programa é descentralizado nos Centros de Cidadania LGBTI da Prefeitura, onde as participantes têm apoio psicológico e de assistência social, reforço escolar, cursos e oficinas de capacitação. Em 2020, o Transcidadania mais que dobrou o número de vagas, de 240 para 510 bolsistas.

Centros de Cidadania LGBTI

Sob responsabilidade da Coordenação de Políticas LGBTI, da SMDHC, os cinco Centros de Cidadania LGBTI desenvolvem ações permanentes de combate à homofobia e respeito à diversidade sexual. Nos equipamentos é possível ter acesso à orientação jurídica, social e psicológica, além de oficinas e programas como o Transcidadania, que visa a continuidade dos estudos e fortalecimento da cidadania para travestis, mulheres transsexuais e homens trans em situação de vulnerabilidade.

Veja abaixo mais informações sobre cada unidade:

Centro de Cidadania LGBTI Claudia Wonder (Zona Oeste)
Avenida Ricardo Medina Filho, 603 – Lapa
Segunda a sexta-feira, das 9h às 18h
Telefone: (11) 3832-7507
centrolgbtoeste@prefeitura.sp.gov.br

Centro de Cidadania LGBTI Laura Vermont (Zona Leste)
Avenida Nordestina, 496 – São Miguel Paulista
Segunda a sexta-feira, das 9h às 18h
Telefone: (11) 2032-3737
centrolgbtleste@prefeitura.sp.gov.br

Centro de Cidadania LGBTI Luana Barbosa dos Reis (Zona Norte)
Praça Centenário, 43 - Casa Verde
Segunda a sexta-feira, das 9h às 18h
Telefone: (11) 3951-1090
centrolgbtnorte@prefeitura.sp.gov.br

Centro de Cidadania LGBTI Edson Neris (Zona Sul)
Rua: Conde de Itu, 673 - Santo Amaro – São Paulo-SP
Segunda a sexta-feira, das 9h às 18h
Telefone: (11) 5523-0413 / 5523-2772
centrolgbtsul@prefeitura.sp.gov.br

Centro de Referência e Defesa da Diversidade Brunna Valin (CRD)
Rua Major Sertório, 292/294 - República
Segunda a sexta-feira,das 11h às 20h
Telefone: 11 3151-5786 / 5783
crd@crd.org.br

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