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Programa Redenção abre as portas para uma nova vida aos beneficiários em situação de vulnerabilidade

Ação que integra o Programa Redenção da Prefeitura proporcionou novas oportunidades para o casal Leandro Barboza e Daiara Silva, que se conheceram na Cracolândia, região da Luz

De Secretaria Especial de Comunicação

Força de vontade e muito apoio. Foi desta forma que o casal Leandro Alves Barboza e Daiara Cristina Ferreira da Silva, que se conheceram na região da Luz, conhecida como Cracolândia, superaram o passado triste e passaram a ter novas oportunidades na vida. Ambos foram beneficiários do Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica (SIAT), que faz parte do Programa Redenção da Prefeitura de São Paulo, que oferece tratamento e ações integradas de saúde e assistência social a pessoas em situação de vulnerabilidade ou risco social que utilizam álcool e outras drogas.

Leandro e Daiara se conheceram em 2016 na Luz, quando ela tinha apenas 15 anos. Ele usou crack por 12 anos, dez deles frequentando o “fluxo” (como é conhecida a concentração de dependentes químicos) diariamente. Daiara usava maconha e cocaína.

Com a pandemia, Leandro não conseguiu mais fazer seus “bicos”. “Pela primeira vez fui dormir na rua”, conta. Até então, ele dormia em hotéis na região. Sem dinheiro para bancar a estadia, foi abrigar-se com Daiara, na unidade de Atendimento Diário Emergencial (ATENDE) que, na época, localizava-se na Rua Helvetia. Uma semana depois, souberam que o equipamento seria transferido para a região do Glicério, com a inauguração de mais um serviço da rede de atendimento do Programa Redenção, o SIAT II Glicério – Acolhimento Temporário, situado na Avenida Prefeito Passos, 25.

Casa nova

Leandro e Daiara passaram seis meses no SIAT II e seguiram à risca o tratamento de saúde. Em agosto de 2020, quando foi inaugurado mais um SIAT na cidade, o de Ermelino Matarazzo, foram os primeiros a abrir o quarto do dormitório reservado para eles.

“Foi como se eu estivesse abrindo a porta de uma nova vida para nós. Fazia dez anos que não tinha um quarto digno”, lembra Leandro. “Nosso sonho sempre foi ter uma casa, ter tudo o que a gente merece. Então com o dinheiro do trabalho comecei a comprar TV, tapete, cafeteira, celulares. Comprei uma poltrona porque sempre quis ter visitas na minha casa e nunca tive. Comprei um videogame e quando liguei comecei a chorar feito criança”.

Ambos estão sem drogas há um ano. Ele participa do Programa Operação Trabalho (POT) e ela criou uma empresa de limpeza, que deu o nome de Limpezas Redenção. “Fizemos uma pesquisa e o nome tinha tudo a ver com nossa história: reconstruir algo”, explica Daiara.

Em junho deste ano o casal conquistou mais um degrau em busca de sua autonomia: o aluguel da tão sonhada casa. “Agora é planejar o casamento”, comemora Daiara. Na despedida, ganharam um “chá de casa nova” organizado pelo SIAT e de quebra vários presentes dos amigos para o novo lar.

Do tráfico à carteira assinada

Não é apenas o casal que comemora a nova vida, cheia de esperança no futuro. Depois de ter usado cocaína por nove anos, Jorge Andrade decidiu conhecer o serviço que vinha ajudando muitos dos “amigos” do fluxo. Passou pelas três fases do SIAT e está completando dezesseis meses sem consumir drogas. Saiu dos 74 quilos para quase 90. Conseguiu um novo emprego, formal, de controlador de acesso, iniciou tratamento dentário e retomou o vínculo familiar (com seus dois filhos e voltou a namorar a ex-mulher).

“É pensar para frente, é pensar no futuro, é pensar (em) coisas boas. Não pensar em andar para trás. Não quero aquilo para mim nunca mais!”, garante Andrade. “Quero para outra pessoa – que venha um dia ocupar meu lugar – o mesmo tratamento e oportunidades que tive aqui”.

YouTube

No programa “Converse com outras ideias”, apresentado recentemente na GloboNews, e disponível no Canal do Youtube do Programa Redenção, o ex-jogador Walter Casagrande relatou sua experiência com as drogas por três décadas e afirmou que atualmente comemora cada dia vencido da batalha há mais de dez anos.

“Acho muito importante ter esse debate público. O problema da dependência química no Brasil é muito grave, é muito sério. As pessoas não entendem direito e ainda acham que quem consome esse tipo de substância é relacionado com a marginalidade. E não necessariamente é assim. Quando você se torna um dependente, a coisa muda e a droga te domina. E isso é bom ser conversado”, enfatizou.

Além de Casagrande, participaram da atração a atriz Letícia Colin, que na série “Onde Está Meu Coração” interpreta uma médica dependente química usuária de crack, e o psiquiatra Arthur Guerra, coordenador técnico do Programa Redenção.

Sobre o Redenção

O SIAT integra a Política Municipal de Álcool e outras Drogas de São Paulo, instituída pela Lei Municipal nº 17.089 e regulamentada pelo Decreto nº 58.760, no qual se insere o Programa Redenção. O grande número de pessoas que faz uso de drogas no bairro da Luz, na região central, é um dos principais alvos do programa.

“O Redenção encara um dos principais desafios da Prefeitura: a concentração de pessoas em uso abusivo de drogas nas ruas da região da Luz. Trata-se de problema antigo, com práticas estabelecidas há muitos anos e com uma complexidade grande, que engloba não apenas questões de saúde, mas também sociais, urbanísticas, econômicas e de segurança, entre outras”, avalia Alexis Vargas, secretário executivo de Projetos Estratégicos da Secretaria municipal de Governo Municipal.

Vargas destaca que o Redenção envolve diversas secretarias e órgãos municipais como Assistência e Desenvolvimento Social, Saúde, Direitos Humanos e Cidadania, Cultura e Segurança Urbana, além de Subprefeituras, Habitação, Companhia de Habitação Popular (Cohab) que trabalham intensamente com órgãos estaduais.

Acolhimento

Entre as principais diretrizes do Redenção estão o acolhimento dos dependentes químicos em situação de vulnerabilidade e a oferta de tratamento, seja por redução de danos ou por abstinência, levando-se em consideração a individualidade e nível da autonomia de cada usuário. Para complementar o trabalho, em 2019 foi criado o Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica - SIAT, com ações integradas de saúde, assistência e reintegração social. O serviço está subdividido em três categorias:

Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica I (SIAT I) – Abordagem e busca ativa a pessoas que estejam em situação de rua nas cenas de uso de drogas. Atualmente conta com duas equipes compostas pelo Redenção na Rua e SEAS IV, na região da Luz e na região do Glicério pelas equipes de Consultório na Rua e SEAS SLC (Sé, Luz e Cambuci).

Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica II (SIAT II) – Acolhimento de curto prazo e de baixa exigência em relação ao usuário; ações de redução de danos em saúde e assistência social; tratamento e acompanhamento em saúde e elaboração do Projeto Terapêutico Singular; trabalho social visando a autonomia do usuário. Conta com 400 vagas, sendo 200 no SIAT II – Glicério e mais 200 vagas no SIAT II – Armênia.

Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica III (SIAT III) – Acolhimento de médio prazo, coletivo ou familiar, para execução das ações contidas no Projeto Terapêutico Singular. Ações de lazer, esporte e cultura. Oferta variada de cursos de capacitação e qualificação profissional visando a inserção social e produtiva. Com 171 vagas, nas regiões da Brasilândia, Heliópolis e Ermelino Matarazzo.

CAPS AD IV

As ações na região Central são reforçadas com o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas IV (CAPS AD IV), para atendimento a pessoas de todas as faixas etárias com serviços de atenção contínua e funcionamento 24 horas, incluindo feriados e finais de semana. O CAPS AD IV Redenção conta com um total de 20 leitos, sendo dez previstos para acolhimento noturno dos pacientes em acompanhamento no serviço e dez para suporte a situações de crise e urgências relacionadas ao uso de substâncias.

Por meio de parceria com o Governo Estadual, também existem leitos de desintoxicação disponíveis para tratamento da dependência química em hospitais da Rede Estadual.

POT Redenção

Ações e atividades de capacitação técnica, formação pessoal e cidadã fazem parte do Programa Operação Trabalho (POT). É específico para beneficiários com necessidades decorrentes do uso de crack e outras drogas e que se encontram em tratamento nos equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Nele são oferecidas modalidades como higienização e limpeza; jardinagem; cultivo de horta; instalador hidráulico; pedreiro assentador; pintor de obras; azulejista; auxiliar de cozinha; reciclagem e empreendedorismo; e Artes e Empreendedorismo.

Gestão 2021-2024

Nesta nova gestão municipal o Programa Redenção 2021-2024 tem os seguintes projetos para dar atendimento à população e reduzir a cena de uso aberta da região central:

- Criação de vagas em Comunidades Terapêuticas no Município e em parceria com o Governo do Estado, oferecendo mais uma possibilidade de recuperação;

- Porta de saída - Oferecer mais possibilidades de obtenção da autonomia e reinserção social para aquele indivíduo que já está apto a sair dos nossos equipamentos e para que ele não volte às ruas por falta de oportunidade;

- Ressignificar o uso do espaço urbano da Cracolândia e finalizar a Requalificação Urbana no Território da Luz por meio da PPP Nova Luz, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo. Até o momento já foram contempladas três quadras (Quadras 36, 49 e 50) com obras de habitação, saúde, cultura, além do Corpo de Bombeiros e da Praça Júlio Prestes. Estão em fase de desapropriação outras duas quadras (37 e 38) que contemplarão 190 unidades habitacionais da demanda habitacional municipal;

- Ações de Prevenção em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Saúde e Secretaria Municipal de Direitos Humanos para conscientizar e elevar a discussão voltada à alunos do 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental Municipal - em fase de planejamento;

- Desenvolver iniciativas para gerir e dar melhores condições para as atividades de reciclagem para nosso público-alvo, especialmente para os resíduos sólidos recolhido em bairros da região central.

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