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Veja íntegra do discurso do prefeito Bruno Covas

Ele assumiu o cargo neste sábado (7) com a saída do ex-prefeito João Doria.

De Secretaria Especial de Comunicação

Confira a íntegra do pronunciamento do prefeito Bruno Covas nesta segunda-feira (9):

"Nesse último final de semana, iniciou-se o tempo que me foi dado para dirigir os destinos do município de São Paulo.

Estou em dívida com a nossa cidade. Devo a São Paulo a minha formação escolar e acadêmica.

Devo a essa terra a benção de ter um filho saudável que me brinda com extraordinária alegria.

Devo à generosidade dos paulistanos dois mandatos de deputado estadual e um de federal. Nestas três eleições, tive votos em todas as regiões do estado de São Paulo. Mas saí sempre eleito com os votos desta cidade.

Finalmente, devo a minha eleição de vice-prefeito, cargo que me possibilitou ter assumido a Prefeitura recentemente.

Tenho pressa. Serão apenas 33 meses que temos pela frente para pagar a minha dívida de gratidão.

Não é muito tempo, mas como disse Martin Luther King: 'O tempo é sempre certo para fazer o que está certo'.

É preciso mobilizar recursos, arregimentar competências, sacudir crenças, varrer disparates burocráticos, focar em práticas que traduzem a vontade política em tijolos de solidariedade.

É muito querer, sem dúvida. Mas quem não sonha, não faz.

Os últimos 15 meses mostram para todos nós que é possível transformar sonho em realidade.

Acelerando, o prefeito João Doria e sua equipe, que tive a honra de participar, foram audaciosos.

Na área social, foco primordial desta gestão, quero destacar as seguintes conquistas:

- 17 novos CTAs foram disponibilizados, ampliando a nossa rede de atendimento para a população em alta vulnerabilidade. Batemos a meta de acolhimento de 90% da população em situação de rua, segundo o último censo oficial;

- Duas mil pessoas em situação de rua foram qualificadas e contratadas através do Programa Trabalho Novo. São números sem paralelos em outras cidades do mundo com programas semelhantes;

- 38.500 títulos de propriedade foram entregues;

- 35 mil unidades habitacionais foram viabilizadas;

- Iniciou-se a primeira PPP municipal de habitação com a publicação do edital com 12 lotes para a produção de até 32 mil unidades habitacionais;

- O Corujão da Saúde reduziu drasticamente as filas de atendimento e consultas em atraso e criou um modelo de solução de desafios políticos que não necessitou de obras, licitações e concursos, com a realização de mais de 1,7 milhão de exames;

- Zeramos a fila por vagas na pré-escola;

- Atingimos o menor patamar de número de crianças aguardando vaga em creche da série histórica disponível.

Além das conquistas sociais, essa gestão já promoveu:

- A redução de 16% de todas as despesas administrativas, incluindo a redução de 1.398 veículos e 30% dos cargos em comissão;

- Saltamos de 75 para 1.505 câmeras que fazem a vigilância da nossa cidade;

- Aprovamos o mais ousado Plano de Desestatização Municipal da história do país, com a criação do Fundo Municipal de Desenvolvimento Social para vinculação dos recursos advindos desse programa;

- Facilitamos a abertura de empresas por meio do programa Empreenda Fácil. O processo anterior levava em média mais de cem dias e exigia a peregrinação entre órgãos municipais, estaduais e federais. Agora é possível obter todas as autorizações em até cinco dias;

- Realizamos o maior Carnaval de Rua do Brasil, que ajuda diversos setores da economia e impulsiona a geração de empregos;

- Atingimos a meta de 76% dos processos recebidos pela administração autuados em ambiente digital, permitindo a redução drástica dos prazos para tramitação, conferindo agilidade e acima de tudo transparência;

- Buscamos incansavelmente parcerias com a iniciativa privada para doações sem nenhuma contrapartida para Prefeitura;

É importante reafirmar aquilo que já expressei várias vezes nos últimos dias. Aqui na Prefeitura teremos uma mudança de piloto. Mas o rumo, a direção, a rota continuam os mesmos.

Portanto, perseguiremos tudo aquilo que foi pactuado com a população nas eleições de 2016 e repactuado com seus representantes, os vereadores de São Paulo, no Plano de Metas de 2017 a 2020.

Dentre os desafios que temos não posso deixar de mencionar:

- A criação de 85 mil vagas em creche, durante quatro anos da gestão Doria-Covas. Sou daqueles que acredita que mais vale eliminar uma fila do que construir um viaduto.

- Colocar a cidade no topo do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) entre as capitais;

Retomar as obras paradas dos CEUs, além da reforma de pelo menos 28 Centros Esportivos, retomar as obras de seis UPAs, finalizar sete UBSs e concluir o hospital da Brasilândia;

- Ampliar a rede pública de wi-fi. Atualmente, temos 120 pontos de acesso dispostos em praças e parques da cidade. Embora o programa de metas preveja a duplicação da rede de conexão, nossa intenção é ir além e disponibilizar mais de 500 localidades.

- Avançar na estruturação das Redes de Atenção à Saúde, por meio da contratação de novas equipes de Estratégia de Saúde da Família, adequando a Rede de Urgência e Emergência e a Rede Hospitalar, implantando fluxos e protocolos de atendimento e encaminhamento no sentido de propiciar acesso mais seguro e qualificado dos usuários aos diferentes níveis de atenção do Sistema de Saúde.

- Implementar o projeto Saúde Conectada, que visa promover a consolidação e o compartilhamento dos dados clínicos dos pacientes gerados em todos os serviços do município e mesmo os do estado prestado aos munícipes de São Paulo. Tal projeto prima pela continuidade assistencial, reduzindo risco e aumentando a resolutividade no atendimento, além de evitar duplicidade e repetições de procedimentos. Trata-se do conceito de Prontuário Eletrônico, em sua versão mais moderna e com máxima abrangência.

- Desestatizações, concessões e privatizações são metas desta administração, a fim de desonerar a máquina pública e visar o remanejamento de recursos que, antes, estavam provisionados para manutenção de espaços públicos e passam a ter como destino a saúde, a educação e a segurança pública.

Para tudo isso e muito mais sei que contarei:

- Com o corpo dedicado e comprometido de servidores públicos a quem faço o chamamento para nos ajudar;

- A parceria Governo do Estado e do Governo Federal. Todos sabem que eu tenho um lado, mas esta administração não será contaminada por questões eleitorais e exigirá a mesma contrapartida dos outros entes da federação;

- Quero contar também com a Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo. Conclamo a base governista e a oposição a buscarmos convergências, aprovando projetos que traduzem programas de estado e não de um só governo;

- Conto ainda com diversos órgãos de controle externo como Tribunal de Contas e o Ministério Público. Estamos todos na mesma trincheira de combate à corrupção.  É o que a população espera de seus governantes no país pós-Lava Jato;

- Conto com a sociedade. A participação popular e a ajuda da iniciativa devem ser buscadas como forma de catalisar os objetivos desse governo;

- Por último, mas não em último, sei que sempre contarei com os ensinamentos à disposição e o espírito público do amigo João Doria;

Por fim, nunca escondi de ninguém que sou um político. Aristóteles já dizia que o homem é um ser político.

Acredito que as transformações sociais que tanto desejamos devem ser travadas na arena política.

Como lembrou Mário Covas em seu discurso de posse como prefeito de São Paulo: “Não é sem razão que o vocábulo político encontra sua raiz na expressão pólis, isto é, cidade”.

A síntese para a cidade, bem como para a política, é a busca da identidade capaz de transformá-la num corpo vivo, ágil, capaz de traduzir a vontade coletiva da sua aspiração pela melhoria da qualidade de vida.

É forçoso, portanto, eliminarmos da linguagem do poder a primeira pessoa do singular.

A política, como a cidade, é a crença no povo. Crer no povo é reconhecer em cada homem, em cada mulher, o direito de viver com dignidade. É compreender seu papel de ator, de agente e de construtor do seu destino. É identificar nele a fonte legitima de poder.

A política, como a cidade, há de ser o querer traduzido em princípios e formulado em objetivos concretos.

A política, como a cidade, há de ser virtude e virtude não é um bem e sim um dever.

A política, como a cidade, há de ser esperança nascida da dinâmica transformadora.

A política, como a cidade, há de ser justiça que será tão mais implacável na medida em que se substitua a espada por um coração.

A política, como a cidade, há de ser a coragem de proclamar com clareza a nossa incapacidade de multiplicar os peixes, tarefa divina, mas há de ser também a tolerância para ensinar a pescar, e, sobretudo, a humanidade para reconhecer que cada homem deve ser pescador.

Assumi esse cargo, esse encargo, consciente da gravidade, da responsabilidade e do peso desta tarefa.

Trabalharemos incansavelmente porque temos os olhos postos em imagens que não nos deixam descansar. A de mães angustiadas, carregando seus filhos no colo, na longa espera por uma vaga em creche; a do enfermo, que no auge de seu sofrimento e dor não encontra amparo nos equipamentos de Saúde; a do trabalhador desesperançado, que leva horas e horas num sistema de transporte insuficiente; a de uma cidade pujante mas que ainda mostra a o horror de seus cortiços e as chagas de suas favelas.

O desafio parece impossível, mas acalento a todos com os versos de Gonzaguinha:

'Eu ponho fé na fé da moçada

Que não foge da fera e enfrenta o leão

Eu vou à luta com essa juventude

Que não corre da raia a troco de nada

Eu vou no bloco dessa mocidade

Que não tá na saudade e constrói a manhã desejada'.

Vamos construir o amanhã que desejamos para São Paulo."

 

 

 

 

 

 

 

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