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Coronavírus: isolamento social vai além da preocupação com os números de leitos

Especialistas alertam para taxa de mortalidade nas UTIs e sequelas da doença

De Secretaria Especial de Comunicação

Durante coletiva de imprensa realizada no Palácio dos Bandeirantes nesta quinta-feira (14), médicos e especialistas afirmaram que a questão do isolamento social ultrapassa a preocupação com o número de leitos disponíveis e que o agravamento da doença é preocupante.

“Oito por cento das pessoas diagnosticadas vieram a óbito e não foi por fata de leito de UTI, mas porque cada dia que passa nós entendemos que a doença é mais grave. O vírus é mais agressivo do que parecia no começo da pandemia. A gente vai compreendendo mecanismos de como o vírus ataca os diferentes sistemas do indivíduo e hoje está claro que o vírus causa uma doença sistêmica, e não apenas uma doença pulmonar” disse o coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde, Paulo Menezes.

O diretor do Instituto Emílio Ribas, Luis Carlos, afirmou que atualmente a taxa de mortalidade nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) estão em torno de 20%. “Isso quer dizer que, de cada cinco pacientes que vão para a UTI, um paciente não volta para casa. De cada dez pacientes, quatro evoluem para insuficiência renal”, disse o médico.

Luiz Carlos ainda fez um alerta sobre as sequelas deixadas pela covid-19 (doença provocada pelo novo coronavírus). “Desses pacientes que vão receber alta, alguns ainda vão precisar fazer diálise e outros terão sequelas pulmonares. Então, a questão não é apenas sobre número de leitos disponíveis. A questão é que estamos diante a uma doença nova que surpreende a casa dia com novas manifestações clínicas, neurológicas, cutâneas e vasculares. Por isso precisamos que a população colabore para que a gente não tenha pacientes graves e pacientes com sequela”, disse.

Por este motivo, a questão do isolamento social é fundamental para conter o avanço da doença na capital. Na última quinta-feira (13) o índice de isolamento na cidade foi de apenas 48%.

“Estou falando em nome da força-tarefa que temos em nossos hospitais, falando desde os funcionários que cuidam do administrativo aos que estão na ponta, essas pessoas estão dando o máximo que podem e elas precisam do apoio da população para que a gente consiga controlar um pouco mais essa demanda. É um apelo que fazemos todas as vezes, mas as pessoas precisam parar e olhar para essa força de trabalho, se sensibilizar com esta dedicação e entrega para fazer a sua parte. É só isso o que pedimos”, disse Luiz Carlos.

Menezes também ressaltou a importante do isolamento social. “A doença é mais grave do que as pessoas estão imaginando. Por isso precisamos entender que o isolamento social não é só em função de dar tempo para a construção de leitos com respiradores, mas é a única coisa que podemos fazer para evitar que as pessoas peguem o vírus”, concluiu.

 

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