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Consultório na Rua aumenta atendimentos durante a pandemia

Programa foi reforçado com novos profissionais da saúde para atender pessoas em situação de extrema vulnerabilidade na capital

De Secretaria Especial de Comunicação

Há 12 anos, o programa Consultório na Rua, uma parceria da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto (BomPar), oferece atendimento à saúde da população em situação de rua na capital. Entre março e outubro, depois de ampliar em 75% o número de colaboradores e criar novas equipes, os atendimentos tiveram um salto superior a 80% durante a pandemia do novo coronavírus.

Até outubro foram realizadas 447.797 consultas. Os atendimentos diários são realizados por 595 profissionais de 25 equipes. O número equivale a um aumento superior a 80% nos acompanhamentos realizados neste período, se comparado aos cinco meses anteriores à pandemia.

A ampliação nos atendimentos foi possível graças ao reforço nas equipes. De 339, o programa passou a contar com 595 profissionais. Estas novas contratações possibilitaram a implantação do serviço noturno, além de aumentar a atuação aos finais de semana e expandir o serviço para outros territórios (áreas com nova cobertura do programa).

 

Covid-19
As atividades prioritárias, pontuais e de rotina com os moradores em situação de rua foram mantidas durante a pandemia. As equipes fazem abordagens, trabalho de desenvolvimento de vínculos, cadastramento, consultas, curativos, medicações e outros procedimentos, e nenhum deles foi interrompido durante a quarentena.

Durante as abordagens, sintomas da Covid-19 são os primeiros a serem checados e, em casos de suspeitas ou de síndromes gripais, os pacientes são encaminhados aos equipamentos de saúde. De abril até agosto, 987 pessoas foram conduzidas às unidades de saúde municipais nessas condições.

Além dos atendimentos focados em Covid-19, síndromes respiratórias, lesões físicas e comorbidades diversas, o Consultório na Rua realiza também ações exclusivas para vacinação tanto dos moradores em situação de rua como dos que estão em equipamentos sociais da cidade. Entre março e agosto, 10.029 pessoas receberam as vacinas contra gripe, H1N1, pneumo 23 e tríplice viral, que protege do sarampo, caxumba e rubéola.

 

Equipes
As equipes do Consultório na Rua em parceria com o BomPar são compostas por enfermeiros, assistente social, psicólogo, médico, atendente administrativo, agentes sociais e agentes de saúde, distribuídas nas seis Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS) do município (10 no Centro; 2 na Leste; 3 na Norte; 2 na Oeste; 7 na Sudeste e 2 na Sul).

O trabalho é realizado em três turnos, de manhã, à tarde e à noite. Durante o período de pandemia, o programa realizou 16.650 consultas médicas, 24.487 pessoas foram atendidas pela enfermagem e 17.048 pessoas passaram por acompanhamento específico de psicólogos e assistentes sociais. Os problemas mais comuns detectados na população de rua são tuberculose, hipertensão, diabetes, infecções sexualmente transmissíveis, dependência química e transtornos mentais.

A parceria entre o programa e o BomPar já cadastrou, desde antes da pandemia, 12.960 pessoas em situação de vulnerabilidade, por terem alguma comorbidade que precisa de cuidados físicos ou psicológicos. Esses beneficiários recebem acompanhamento diário do caso, atenção e medicação permanentes, fornecidos pelas equipes até o final do tratamento indicado, com apoio do Programa de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde.


O programa
O Consultório na Rua vai além da assistência médica e psicológica. Desempenha também papel fundamental de reintegração da pessoa em situação de vulnerabilidade à sociedade por meio da inserção no mercado de trabalho. Todos os agentes das equipes do programa já tiveram vivência na rua ou em abrigos, e foram contratados após passar por um processo seletivo.

Muitos deles começam como agentes e, de acordo com as habilidades e projetos pessoais, buscam qualificação profissional e podem ocupar outras funções. Hoje existem ex-agentes de saúde que são assistentes sociais, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, interlocutores, amigos confidentes e até médicos.

Uma dessas pessoas é Samira Alves Matos, a primeira mulher trans a trabalhar no Consultório na Rua, que vivia em situação de rua. Em 2013, ela conheceu o projeto como paciente e hoje reconhece o impacto que o programa teve para sua vida. Formanda em Serviço Social desde 2015, Samira hoje atua na frente de atenção à população LGBT+. “Quero poder fazer pelos outros o que fizeram por mim”, disse.


Samira Alves Matos vivia em situação de rua e hoje é a primeira mulher trans a trabalhar no Consultório na Rua (Foto: Edson Hatakeyama)

O programa Consultório na Rua é coordenado pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo em parceria com o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto (BomPar), Movimento de População de Rua e Pastoral do Povo da Rua. A secretaria mantém ainda uma equipe de Consultório na Rua em parceria com o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (IABAS).

 

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